
Excerto do Editorial
“Não viveremos no medo que nos querem impor”. Assim começa, em título, o artigo que o ex-ministro da Educação, João Costa, e o ator da companhia de teatro A Barraca, Adérito Lopes, publicaram no Expresso há quase um ano. Nas motivações para a escrita – e entre outros episódios assinalados no texto, sintomáticos do discurso de ódio, insulto e atos de violência por parte de membros, movimentos e forças políticas da extrema-direita – a bárbara agressão a Adérito Lopes por um neonazi, mesmo à porta de A Barraca, no preciso dia em que se assinalavam 30 anos do assassinato de Alcindo Monteiro.
É num apelo à tomada de consciência coletiva e à mobilização, perante as ameaças e os desafios políticos que a ofensiva da extrema-direita hoje nos coloca, a que se soma a erosão neoliberal dos fundamentos e das conquistas sociais que concretizam direitos e promovem a igualdade e a justiça social, que João Costa e Adérito Lopes sublinham a importância do papel das artes e da cultura. Desde logo, “porque a cultura assusta quem não quer a democracia”, assinalam, convocando todos, “em cada fábrica, escola ou espaço artístico, (…) em cada bairro, em cada café”, a “celebrar a democracia e a diversidade”.
Lista de Artigos:
AMARÍLIS FELIZES, Perguntas sobre arte e trabalho
BERNARDO GOUVEIA, Reflexão à esquerda – Modo de usar
CAPICUA e AFONSO BRANCO, A cantiga (ainda) é uma arma (conversa conduzida por Manuel Halpern)
DANIEL MELO, O associativismo em perspectiva (notas exploratórias)
DIMA MOHAMMED, Quando retirar apoio não é censura: cancelamento, boicote e responsabilização
DINA MAGALHÃES, “Sirat”
DIOGO DUARTE SILVA, A ordem internacional no limbo
DORI NIGRO, MELISSA RODRIGUES e RAQUEL LIMA, Manual Antirracista para as Artes e a Educação – Um sonho sankofa para o futuro
ELISABETE PAIVA, Uma revolução por cumprir
GERMINAL, A Revolução não será analógica
GUILHERME SEMEDO, Expor as estruturas do poder e da acumulação
HENRIQUE SOUSA e PAULO AREOSA FEIO, Novos caminhos à esquerda: hipóteses para um debate necessário
JOÃO COSTA, Uma certa urgência da arte perto das crianças e dos jovens
JOSÉ SOEIRO, Mais que um pacote laboral, um regime económico em disputa: breve roteiro para uma luta prolongada
JÚLIA BARATA, Ilustrações
MADALENA MOTA, Leopardos e hienas; as elites e o sal da terra
MANUEL PUREZA, A cultura é uma árvore, e todas, todos e todes devíamos sabê-lo
MARCO MARTINS, A arte de criar (em) comunidade (entrevista por Manuel Halpern)
MARIA VLACHOU, Confiança radical
NUNO RAMOS DE ALMEIDA, Vida Justa, a força dos bairros
PAULO PIRES DO VALE, Lucidez revolucionária – A Constituição de uma democracia cultural, 50 anos depois
PEDRO JOSÉ-MARCELLINO, “O Riso e a Faca”: Ensaio neocolonial sobre tempos, olhares e desconfortos
PEDRO RODRIGUES, O boicote e o cancelamento são mesmo uma arma?
RUY FILHO, Contra o medo, o afeto: voltar a sentir um país
VIRIATO SOROMENHO MARQUES, O império contra-ataca: o incerto parto do mundo multipolar
Realizou-se no passado dia 28 de março a Assembleia Geral da Associação Fórum Manifesto.
Para além dos aspetos formais, que incluíram a aprovação do relatório de atividades, contas e orçamento, a Assembleia constituiu também um momento de reflexão e debate político.
Em registo aberto a convidados, teve lugar uma discussão sob o tema “caminhos para as esquerdas e a Fórum Manifesto no novo contexto político”, proporcionando um espaço de troca de ideias e contributos diversos sobre os desafios atuais.
O documento que serviu de base a esse debate pode ser consultado aqui, já com as alterações introduzidas na sequência da discussão realizada: Orientação política – Fórum Manifesto
Realiza-se no sábado, 28 de março, a partir das 11 horas, a assembleia geral da Associação Fórum Manifesto, nas instalações do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa.
A sessão da tarde (com início às 14h30m), aberta a não associados, é subordinada ao tema “Um debate necessário: que caminhos para as esquerdas e a Fórum Manifesto no novo contexto político?”
Se queres inscrever-te ou simplesmente participar na assembleia, contacta-nos para forumanifesto.pt@gmail.com
REVISTA MANIFESTO nº 9
Chamada de artigos para a secção «Novos olhares sobre a atualidade»
Tens até 30 anos, gostas de escrever e interessas-te por política?
A revista Manifesto está novamente aberta a propostas de textos de autores com menos de 30 anos, na sua secção «Novos olhares sobre a atualidade». Os textos devem versar temas da atualidade política ou social, nacional ou internacional.
Apresenta a tua proposta até dia 15 de fevereiro, enviando-a para o e-mail manifestojovens@gmail.com. A proposta deve conter um pequeno resumo do artigo a desenvolver (até 500 caracteres) e uma nota biográfica (até 300 caracteres).
Os 4 ou 5 autores selecionados deverão escrever um texto de até 8 000 caracteres (com espaços) para a revista, cuja edição está prevista para o final de maio.
Para participar deves ter nascido depois de 1995 e identificares-te com o estatuto editorial da revista.
A Direção da revista constitui-se como júri para a seleção das propostas, reservando-se o direito de não publicar os restantes textos apresentados. A sua decisão será obrigatoriamente comunicada a todos os proponentes.
NOTA: artigo atualizado com nova data de 15 de fevereiro.
A Associação Fórum Manifesto apoia a greve geral convocada para dia 11 de dezembro pela CGTP e a UGT e apela à participação dos trabalhadores, considerando que o pacote laboral apresentado pelo Governo corresponde a um ataque sem precedentes aos direitos do trabalho, promovendo o aumento das desigualdades, da precariedade e dos desequilíbrios na distribuição da riqueza.
As medidas propostas — alterando mais de 100 artigos — significam reduções drásticas de direitos, com implicações práticas no equilíbrio e estabilidade laboral. Entre outras, são propostas medidas que comportam alterações significativas em matéria de:
● Horas extraordinárias: com regresso do banco de horas individual, limitando a proteção da negociação coletiva; este banco de horas prevê que o trabalho se possa estender até às 10 horas por dia e 50 horas semanais, sem que estas sejam remuneradas como extraordinárias;
● Duração dos contratos: com o alargamento do prazo máximo dos contratos a termo certo, de 2 para 3 anos, e incerto, de 4 para 5 anos, provocando maior precariedade e instabilidade; a possibilidade de contratar a prazo para funções permanentes desde que o trabalhador nunca tenha tido um contrato sem termo;
● Contratação coletiva: fim da obrigatoriedade de fundamento para a denúncia da convenção coletiva por parte da empresa; perda de proteção pela convenção de empresa pelos trabalhadores em outsourcing; possibilidade de invocação de situação de “crise empresarial” por parte da empresa para redução ou suspensão de direitos da convenção coletiva;
● Despedimentos: perda do direito à retoma do posto de trabalho em caso de despedimento ilegal; em caso de despedimento ilegal a entidade patronal só paga até 12 meses de salário, sendo os restantes pagos pela Segurança Social; fim do impedimento do recurso a outsourcing para substituir as funções de um trabalhador despedido nos 12 meses subsequentes; redução dos direitos de defesa em caso de procedimento disciplinar;
● Direitos sindicais: perda do direito a instalações sindicais na empresa e à afixação e distribuição de informação de forma universal no local de trabalho; limitação de acesso a empresas onde não haja trabalhadores sindicalizados por parte de dirigentes sindicais;
● Direito à greve: alargamento da abrangência dos serviços mínimos a setores que não são vitais para responder a necessidades sociais impreteríveis;
● Limitações no recurso à justiça: perda da intervenção imediata do Ministério Público para travar despedimentos abusivos e ilegais; fim das sanções criminais para os empregadores que não comuniquem à Segurança Social a admissão de um trabalhador, incluindo o trabalho doméstico;
Esta reforma não constava do programa eleitoral, sendo agora defendida pelo governo como necessária para o aumento da produtividade. Contudo, a própria ministra é incapaz de dar exemplos de estudos que sustentem tal ideia. De resto, o pacote aparece numa altura em que se verificam sinais de crescimento na economia portuguesa, tendo o Código de Trabalho sido revisto mais de 20 vezes nos últimos 20 anos.
A Associação Fórum Manifesto participará ativamente na greve estando presente em piquetes, e apela também à participação dos trabalhadores nas mobilizações que ocorrem em todo o país (ver lista em baixo).
Recordamos que a greve é um direito consagrado na Constituição da República Portuguesa, que assiste a todos os trabalhadores, sem exceção, independentemente da natureza do vínculo laboral, do setor de atividade a que pertençam e do facto de serem ou não sindicalizados.
A Manifesto acredita que a greve é a única solução para obrigar o governo a recuar neste pacote laboral que provocará danos gravosos na própria economia e nos direitos de quem trabalha, aumentando o fosso entre ricos e pobres, diminuindo a qualidade de trabalho e a conciliação entre a vida pessoal e profissional, em vez de resolver os problemas que persistem no campo do trabalho como os salários baixos e a precariedade. Para que a Greve Geral seja eficaz, é necessária uma adesão massiva dos trabalhadores. Por isso, a Manifesto apela a todas e a todos para que adiram à greve geral de 11 de dezembro, participem nas manifestações públicas, divulguem o que está em causa junto de colegas e amigos, combatendo a desinformação e a se solidarizar com todos os trabalhadores em greve.
Juntos venceremos.
Apelo à participação nas mobilizações de todo o país:
Lisboa — Rossio, 10h, Praça da Greve / Rossio para São Bento, 14h30, manifestação
Porto — Avenida dos Aliados, 15h, concentração
Angra do Heroísmo — Praça Velha, 10h30, concentração
Aveiro — Largo Dr. Jaime Magalhães Lima, 15h, Praça da Greve
Barreiro — Rotunda do Luso até Parque Catarina Eufémia, 15h, manifestação
Beja — Portas de Mértola, 11h, Praça da Greve
Braga — Arco da Porta Nova à Praça da República, 10h, manifestação
Coimbra — Praça 8 de Maio, 11h, Praça da Greve
Évora — Praça do Giraldo, 14h30, Praça da Greve
Faro — Largo da Pontinha, 11h30, Praça da Greve
Funchal — Assembleia Legislativa da Madeira | Porta Principal, 11h30, concentração
Guarda — Hospital, 11h30, concentração
Horta — Largo de Duque de Ávila e Bolama, 10h30, concentração
Marinha Grande — Av. Vítor Gallo à Rotunda do Vidreiro, 16h30, manifestação
Ponta Delgada — Portas da Cidade, 10h30, concentração
Portalegre — Rua Tenente Valadim até Rossio, 11h30, manifestação
Santa Maria da Feira — Praça Dr. Gaspar Moreira, 15h, Praça da Greve
Santarém — W Shopping, 11h, Praça da Greve
Seia — Largo CM Seia, 10h30, concentração
Setúbal — Praça Quebedo até SCM, 10h30, manifestação
Viana do Castelo — Praça da República, 10h, Praça da Greve
Viseu — Rossio, 16h, concentração

A Fórum Manifesto convida quatro candidatos para uma conversa sobre o papel do próximo Presidente da República no debate político atual e no futuro de Portugal.
19 novembro, António José Seguro
27 novembro, Jorge Pinto
3 dezembro, António Filipe
17 dezembro, Catarina Martins
18h00, Casa do Comum, Bairro Alto.

Excerto do Editorial
Dificilmente se conseguiria antever, ou sequer imaginar, há cerca de duas décadas, os tempos convulsos e de retrocesso que hoje estamos a atravessar, marcados, à escala internacional, pelo regresso da guerra à Europa, pela consolidação das políticas neoliberais e pela verdadeira vaga da extrema-direita em quase todos os países que configuravam o “mundo ocidental, liberal e democrático”. Processos que, no seu conjunto, ameaçam hoje, de forma inaudita, as conquistas sociais alcançadas ao longo do último século, as próprias instituições democráticas e os avanços civilizacionais que dávamos, até há pouco tempo, como adquiridos.
Nos tempos sombrios e incertos que atravessamos, que configuram um mundo em transição para uma nova ordem, cujos contornos não são ainda possíveis de descortinar na sua plenitude, este número da Revista Manifesto assume como matéria central de reflexão os desafios que se colocam às esquerdas neste contexto, também elas a procurar caminhos para superar a crise que atravessam. Tentar perceber as determinantes da nova ordem global é indispensável para se atuar à escala de cada país, onde a política se torna inteligível para o cidadão.
Lista de Artigos:
ANA ALEXANDRA CARVALHEIRA, À Volta do Medo
ANDREIA CUNHA, Mulheres, vida, liberdade
BERNARDO GOUVEIA, Os jovens e a memória coletiva sobre o 25 de Abril
CARLOS LOBATO, O Estado e a contrarrevolução americana
DANIELA CUNHA, Consegue a Esquerda participar no debate sobre imigração?
FILIPA FARIA DE FREITAS e FRANCESCA ALBANESE, Palestina no centro da desordem mundial
HELENA HALPERN, “O mundo antigo morre. O novo tarda em aparecer. Esta é a altura dos monstros”
INÊS HEITOR, “Um lugar ao sol”
JOÃO AFONSO, Nuno Portas, único múltiplo
JOÃO COSTA e JOSÉ MANUEL PUREZA, Papa Francisco: um regresso ao Cristianismo
JOSÉ GUSMÃO, A Europa e os sintomas mórbidos
MADALENA MOTA, Perante a Lei (e uma nêspera)
MANUEL HALPERN, Quando foi a última vez que viu um filme chinês?
MANUEL SAN PAYO, Ilustrações
NUNO RAMOS DE ALMEIDA, Do Guincho a Zimmerwald, a guerra só serve o grande capital e o fim do mundo
PAULA CABEÇADAS, “No Other Land”
PAULO PEDROSO, Recuperar a hegemonia do pensamento progressista. A Causa da Causa Pública
PEDRO PEZARAT CORREIA, Quanto mais nos preparamos para a guerra, mais a guerra parece inevitável (entrevista por Sofia Lorena)
PORFÍRIO SILVA, O que é isso “rearmar a Europa”?
RICARDO DUARTE, O populismo como movimento político
TARSO GENRO, Dialética da Guerra
A revista Fórum Manifesto nº8 está aberta a propostas de textos de atualidade de autores com menos de 30 anos.
Apresenta a tua proposta até dia 16 de abril, enviando-a para o e-mail manifestojovens@gmail.com.
Os 4 autores selecionados deverão escrever um texto de até 6 500 caracteres para a revista.
Requisitos
Boa sorte!
O Conselho Editorial da Fórum Manifesto reserva-se o direito de não publicar os textos.
Lançamento da Revista Manifesto nº7:
Dia 3 de junho, sábado, na Feira do Livro de Lisboa, Praça Laranja às 18h00.
Com: Ana Drago, Daniel Oliveira, Viriato Soromenho Marques