Paira sobre a nossa democracia a ameaça do desvirtuamento da sua autenticidade representativa. A proposta de redução do número de deputados/as, a que esta semana deu voz o Ministro Jorge Lacão, arranca de pressupostos populistas e perverte a representação como elemento essencial da democracia.
‘Desaprender’
Ficámos hoje a saber, através do jornalista Carlos Cipriano, que os caminhos-de-ferro perderam 99 milhões de passageiros em duas décadas, uma redução de 43%; Portugal tem 20 metros de auto-estrada por Km2 (a média europeia é de 16 metros) enquanto que na rede ferroviária temos 31 metros por Km2 (a média europeia é de 47 metros). São os efeitos de uma política pública míope, mas coerente com o regime socioeconómico em que vivemos, que favoreceu excessivamente o automóvel em detrimento do que só pode ser transporte público. Para além de todos os custos sociais, opções destas não terão certamente ajudado nas nossas relações económicas com o exterior. De resto, e como sublinhou Tony Judt num ensaio sobre caminhos-de-ferro, tratou-se também aqui de desaprender “a partilhar o espaço público para beneficio comum”.
‘Universidade de Primavera’
‘Jogo Alto’
A história acelera; as respostas chegam quase antes de termos imaginação para fazer as perguntas. Qual é a próxima Tunísia? O Egito. Quanto tempo demorou? Menos de duas semanas.
Ainda estávamos a considerar a hipótese de uma revolta civil num país árabe e já Ben Ali tinha apanhado o avião. Ainda os comentadores ocidentais se entretinham com a eventualidade de o exemplo tunisino ser seguido e já havia levantamentos na Jordânia, no Iémen, e no Egito. E agora eis-nos seguindo pela Al-Jazira um vasto movimento de desobediência civil neste último país. E já o líder da oposição, Mohamed el Baradei, fala aos cairotas: não vamos voltar para trás.
‘Balanço’
A vitória de Cavaco Silva tem dois pequenos grandes “senões”: por um lado, obtém o mais fraco resultado de uma reeleição; por outro lado, perdeu a sua imagem de imaculado.
‘Solilóquio do perdedor’
‘E Agora?’
Conservadorismo, cepticismo e disponibilidade para soluções providenciais fizeram caminho nas eleições de domingo. As propostas de resistência alicerçadas numa crítica ideológica do poder ao centro, foram derrotadas.
‘Universidade de Primavera’
Universidade de Primavera
Estado Mínimo, Crise Máxima
25 a 27 de Fevereiro
Ovar : Pousada da Juventude
Participação Livre
PROGRAMA
25 de Fevereiro, Sexta
a partir das 15H | acreditação
21H | conferência de abertura: ‘Estado e Sociedade’
Luís Fazenda e José Manuel Pureza
26 de Fevereiro, Sábado
Sessão de trabalho – Serviço Nacional de Saúde
Aula: Pedro Ferreira – Professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra
Mesa Redonda: com João Semedo e Isabel do Carmo
Almoço
Sessão de trabalho – Educação
Aula: Manuel Sarmento – Universidade do Minho
Mesa Redonda: com Ana Drago e Maria José Araújo
Mesa redonda ‘A nova esquerda e os novos na esquerda’
com Hugo Ferreira, Gonçalo Monteiro, Pedro Feijó e José Miranda
Moderação de Daniel Oliveira
Jantar
Sessão de trabalho – Cultura
com António Pinto Ribeiro e Catarina Martins
27 de Fevereiro, Domingo
Sessão de trabalho Segurança Social
Aula: Carvalho da Silva – Secretário-Geral da CGTP
Participação – Entrada Livre, limitada a 60 inscrições (enviar e-mail para veraouniversidade@gmail.com)
Estadia (2 noites com P.A.) – 20€ (5€ para jovens e estudantes)
· Transferência para o NIB: 0036 0143 9910 0014 7015 0 (Montepio)
· Enviar e-mail para veraouniversidade@gmail.com, confirmando pagamento com dia e hora de transferência.
· A reserva da Estadia só será confirmada depois de efectuado o pagamento.
Deslocação – Para oferecer ou apanhar boleia enviar e-mail para veraouniversidade@gmail.com com telemóvel, cidade, dia e hora de partida e regresso.
Organização Fórum Manifesto
Centro de Estudos Sociais e Políticos
Para mais informação: Tiago Ivo Cruz / 915914495 / tiagoivocruz@me.com
‘Não resolvemos nada’
Terminou um ciclo. Estamos tão bloqueados quanto antes. É como se o país estivesse tomado de pânico. Vê o abismo mas não tem vigor para mudar de caminho nem imaginação para inventar um.
Sendo eu de esquerda, e agora político, e apoiante de Alegre, sou hoje triplamente derrotado. Entregaremos agora o país à recessão, ao FMI e (talvez em breve) a um prolongado governo de direita, com a esquerda dividida e deprimida. Espero que Alegre use a sua autoridade moral para continuar a acrescentar tolerância à esquerda.
Em 2006: que vai fazer Alegre com os seus votos? Em 2011: que vai fazer Nobre? Um palpite arriscado: deve estar neste momento a pensar fundar um partido.
Coelho teve 40% na Madeira! Merece exclamação, porque prova que os madeirenses estão fartos de Jardim e descrentes de uma oposição sem vigor contra Jardim.
Cavaco. O mito acabou. As notícias sobre a sua casa são graves e demonstram uma desonestidade estrutural que nem eu lhe imaginava. Passou a ser um Sócrates, mas em sonso. Como vai o país aguentar dois assim?
Publicado no Jornal Público no dia 24 de Janeiro de 2011
‘Pequenos milagres democráticos’
O meu pai nasceu em 1929, já em ditadura. Cresceu numa aldeia do Ribatejo, ditadura. Veio a Guerra Civil de Espanha, havia refugiados do país vizinho pelos campos, “comiam até o musgo das paredes, com a fome que tinham” dizia-me ele de vez em quando. Depois a IIª Guerra Mundial, o racionamento, e as irmãs dele — minhas tias — adoeceram gravemente — “entuberculisaram”, como se diz na Arrifana. O pai do meu pai morreu, e era ainda ditadura. O meu pai namorou e desfez-se o namoro, casou e teve filhos e enviuvou, e casou de novo com a primeira namorada e teve mais filhos e, em todo este tempo, era sempre, sempre, sempre a mesma ditadura.