‘Europeísmo crítico’
Em Portugal, o romance europeu das elites, o dos amanhãs europeus que cantam sempre, acabou. Basta ter visto Freitas e Soares, dois convictos europeístas, ontem na TVI24. Defenderam a necessidade das periferias baterem o pé ao eixo franco-alemão de Merkel e Sarkozy e pugnarem por uma reconfiguração progressista da integração europeia.
‘Monstrinhos bicéfalos’
A revista alemã Der Spiegel publicou há dias um interessante artigo sobre Merkel, Sarkozy, e a vontade de protagonismo. O seu título era um pouco cruel – “como manipular os anões políticos da Europa” -; o pior é que não havia como lhe escapar.
‘Estamos à espera de quê?’
As alterações climáticas são uma realidade e é difícil perceber do que estamos à espera. Estamos a tratar de uma questão de sobrevivência e daquela que é das mais graves faces da crise global.
‘Direitos’
Em 10 de Dezembro de 1948, as Nações Unidas aprovaram a Declaração Universal de Direitos Humanos. Abriu-se então um caminho – cheio de contradições e percalços – de assunção da dignidade de todos/as como a única prioridade absoluta na política.
‘Irritação, irritação, irritação’
‘Wikileaks’
Julian Assange é um Robin dos bosques dos tempos modernos: rouba segredos aos poderosos para os dar ao cidadão comum. A contrariedade que o criou tem nome, chama-se poder. Ou seja, desigualdade. Gosto quando o engenho subverte a ordem estabelecida e reescreve uma história velha como o mundo.
‘Tudo se desconjunta’
Um banco suíço decidiu congelar a conta de Julian Assange, o rosto da WikiLeaks, por este não residir no país.
Ou, por outras palavras: está o mundo para acabar.
Um banco suíço (suíço!) não aceita dinheiro de residentes no estrangeiro. Por amor de Zeus, a banca helvética é extraordinariamente cuidadosa com os seus clientes. Se ao menos Assange tivesse – como Isaltino – um sobrinho na Suíça, a coisa ainda poderia ser conversada.
‘Não há competitividade no sector privado sem boas políticas públicas’
Pedro Santos Guerreiro, no Jornal de Negócios
A pressão para acabar com o pouco que resta da protecção do trabalho na legislação laboral não pára de se intensificar e o Governo já mostrou o seu empenho em cumprir com as “recomendações”. A campanha da Comissão Europeia, para além de exorbitar completamente do seu mandato (foi decidido onde que é função da UE promover a “flexibilização das relações laborais”?), tem motivações estritamente ideológicas.
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‘Socializar custos’
As políticas públicas definem as regras do jogo económico e assim também ajudam a decidir quem pode gerar e transferir que custos para quem. Isso é claro nas regras do jogo que inevitavelmente estruturam as relações laborais e distribuem direitos e obrigações, ou seja, poder. Por isso é que a rigidez e a flexibilidade são questões de percepção selectiva: a opinião dominante só se põe no lugar de quem estruturalmente já detém mais poder porque controla os activos, só simpatiza com uma das partes. Porquê?